
Foto: Sebastião Bisneto/ O Dia
Diego Iglesias
Repórter
Um salto pela falta de opções de lazer. Devido a ausência de atividades durante o tempo em que estão fora da escola, um grupo de jovens da Vila Ferroviária, no bairro Ilhotas, procurou uma diversão que mistura perigo e adrenalina. Quase todos os dias eles se reúnem na ponte de trilhos ao lado da ponte Wall Ferraz, onde saltam de uma altura de cerca de 15metros, caindo no rio Poty.
Eles preferem ser chamados de “Os meninos voadores”, como explicou o jovem Leonardo da Silva Feitosa, de 19 anos, que todos os anos desafia o perigo saltando da ponte sem nenhuma espécie de proteção. “Do pessoal que pula com a gente, nunca nenhum saiu ferido. Quando o rio está seco, ficamos observando onde é mais limpo para pular. A gente faz as coisas sabendo, pois ninguém é menino aqui”, disse o rapaz, que prefere ser chamado de “Lorim”. “Todo ano a gente vem pular aqui quando o rio está cheio”, completou.
No entanto, nem sempre as coisas terminam bem nesse tipo de brincadeira. Francisco de Assis da Silva, de 19 anos, um dos que salta ha mais tempo e apontado pelo grupo como o mais experiente, contou que já viu um adolescente morrer depois do salto. “O cara era um trombada, sem família. Ele nunca tinha aparecido por aqui e no dia que veio, pulou sem olhar e caiu em cima de um tronco que estava sendo levado pela água”, lembrou.
Para os destemidos jovens o maior desafio não é o perigo dos saltos, mas algo que está dentro de casa. “Se minha mãe souber que eu fico pulando, ela me ‘mata’. Toda vez que chove eu venho pular, pois assim ela pensa que eu estava era tomando banho de chuva”, disse Wesley, de 13 anos, o mais jovem do grupo.
Eles contam também que a brincadeira poderia até ser abandonada caso tivessem uma outra oportunidade de lazer. “Aqui é o ‘bung jump’ dos pobres, mas sem a corda. É a nossa diversão. É melhor do que roubar ou ficar doidão. Seria muito melhor se por aqui tivéssemos uma quadra de esporte ou um curso para fazer. A gente se diverte assim. Ninguém quer ficar parado”, lamenta, explicando que um dos únicos problemas dessa brincadeira são os prejuízos com os calções. “O impacto na água é tão grande que chega a rasgar tudo”, explicou.
=================
PS do autor: Gostei de fazer essa matéria. Nunca senti tanta vontade de participar de algo que estava cobrindo. Deu vontade de voltar aos tempos de "moleque" e pular também.
=================




Leia este blog no seu celular