
Carnaval é só alegria. Até mesmo para um roqueiro perdido “no meio da multidão”. Foi assim que me senti nos quatro dias de festa na cidade de Floriano. Meio deslocado, como peixe fora d’água. Mas não foi pior do que para um certo personagem, entre tantos peitos e bundas na folia de momo de hoje.
Ele estava lá, quase despercebido e sem significado para a multidão sedenta por Axé Music, aquela mera combinação de quatro notas massificadas pela TV com as bundas balançando em saias-cintos. Não sei o que se passava pela cabeça do pobre Pierrô, num carnaval em que a fantasia se resume em um abadá e a alegria em bebedeira e malícias. Mas percebi que ele ainda insistia em se manter vivo, encantando ou assustando as crianças, as únicas que ainda o notavam.
Mas o que me deu tristeza foi não ter visto a Colombina. Será se já foi assassinada pelos mitos de hoje? Pelas descendentes da "Carla Bunda Balançando Perez"? Não sei, mas posso afirmar que ela ainda pode ser encontrada na mente dos que ainda se lembram e se encantam com o verdadeiro carnaval, o do baile de máscaras coloridas e das brincadeiras com confetes e serpentinas.
Ainda gosto daquele carnaval de antigamente, mas estamos matando-o. Numa enquete feita no site da FCMC - Fundação Cultural Monsenhor Chaves [www.fcmc.pi.gov.br], em que se perguntava qual o estilo de música queríamos ouvir nas festas carnavalescas, a Marchinha foi a maioria absoluta. Mas na realidade foi tudo diferente.




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